Prova Escrita de Física e Química A

Prova 715: 2.ª Fase - 2015

GRUPO I

    A palavra radar é o acrónimo de Radio Detection And Ranging, que, em português, significa deteção e localização por rádio. Trata-se de um sistema que permite detetar a presença, a posição e a direção do movimento de objetos distantes, tais como navios e aviões.
    O funcionamento do radar baseia-se na reflexão de um feixe de radiação eletromagnética. A radiação utilizada no radar pode ter comprimentos de onda, no vácuo, da ordem de grandeza do centímetro.
    Quando o feixe de radiação, geralmente emitido por impulsos, encontra um obstáculo, uma parte desse feixe é refletida, regressando à antena emissora. O tempo que um impulso demora a chegar ao obstáculo e a regressar à antena emissora, depois de refletido, permite determinar a distância a que o obstáculo se encontra dessa antena.

M. Teresa Escoval, A Ação da Física na Nossa Vida, Lisboa,
Ed. Presença, 2012, pp. 192-193 (adaptado)

 

1. A frequência de uma radiação eletromagnética cujo comprimento de onda, no vácuo, seja cerca de 1 cm é da ordem de grandeza de

(A) 104 Hz

(B) 106 Hz

(C) 108 Hz

(D) 1010 Hz

2. Qual das expressões seguintes permite calcular a distância, em metros, a que um obstáculo se encontra da antena emissora, se Δt representar o intervalo de tempo, em segundos, que decorre entre a emissão de um impulso e a receção do respetivo eco?

3. A radiação eletromagnética utilizada no radar pode ser produzida num dispositivo onde existem ímanes que originam campos magnéticos semelhantes ao campo magnético representado na Figura 1.

Qual é o esboço do gráfico que pode representar o módulo desse campo magnético, B, em função da distância, d, ao polo norte (N) do íman que produz esse campo?

4. A Figura 2 representa um feixe de uma radiação eletromagnética monocromática que se propaga na atmosfera da Terra, atravessando três meios óticos diferentes – meios 1, 2 e 3.

Para a radiação considerada, o índice de refração do meio 1 é ______ ao índice de refração do meio 2, sendo a velocidade de propagação dessa radiação no meio 1 ______ à sua velocidade de propagação no meio 2.

(A) inferior … superior

(B) superior … superior

(C) inferior … inferior

(D) superior … inferior

GRUPO II

1. O metano (CH4), o óxido nitroso (N2O) e o dióxido de carbono (CO2) são gases à temperatura ambiente e à pressão normal.

1.1. O teor médio de CH4(g) na troposfera é 1,7 partes por milhão em volume.

Este teor, em percentagem em volume, é

(A) 1,7 x 10-2 %

(B) 1,7 x 10-4 %

(C) 1,7 x 10-6 %

(D) 1,7 x 10-8 %

1.2. Considere uma amostra pura de CH4(g) e uma amostra pura de N2O(g), com volumes iguais, nas mesmas condições de pressão e de temperatura.

      Quantas vezes é que a amostra de N2O é mais pesada do que a amostra de CH4?

      Apresente o resultado arredondado às unidades.

1.3. Calcule o número total de átomos que existem em 50,0 dm3 de CO2 (g), nas condições normais de pressão e de temperatura (PTN).

       Apresente todas as etapas de resolução.

2. A molécula de CO2 é

(A) linear, e o átomo central apresenta eletrões de valência não ligantes.

(B) angular, e o átomo central apresenta eletrões de valência não ligantes.

(C) linear, e o átomo central não apresenta eletrões de valência não ligantes.

(D) angular, e o átomo central não apresenta eletrões de valência não ligantes.

3. Considere átomos de hidrogénio, de carbono e de nitrogénio.

3.1. A tabela seguinte apresenta os valores de energia dos níveis n = 1 e n = 2 do átomo de hidrogénio.

 

 

A transição do eletrão do átomo de hidrogénio do nível n = 1 para o nível n = 2 envolve a

(A) absorção de 1,64 x 10-18 J.

(B) libertação de 1,64 x 10-18 J.

(C) absorção de 2,73 x 10-18 J.

(D) libertação de 2,73 x 10-18 J.

3.2. Considere um átomo de carbono no estado fundamental.

Dos seis eletrões do átomo,

(A) quatro encontram-se em orbitais com l = 1.

(B) apenas dois se encontram em orbitais com l = 0.

(C) quatro encontram-se em orbitais com n = 2.

(D) apenas dois se encontram em orbitais com n = 2.

3.3. Explique porque é que o átomo de carbono apresenta menor energia de ionização do que o átomo de nitrogénio.
       Tenha em consideração as configurações eletrónicas desses átomos no estado fundamental.

GRUPO III

A reação de síntese do amoníaco pode ser traduzida por

1. Na tabela seguinte, estão registadas, além das concentrações iniciais de N2(g) e de H2(g), as concentrações de equilíbrio das substâncias envolvidas na reação considerada relativas a um mesmo estado de equilíbrio do sistema, à temperatura T.

Admita que a reação ocorreu num reator com a capacidade de 1,00 L e que as substâncias envolvidas não participaram em nenhum outro processo.


1.1. Verifique se inicialmente existia, ou não, NH3 no reator.
       Apresente todas as etapas de resolução.

1.2. Admita que, num determinado instante, se adicionou H2(g) ao sistema no estado de equilíbrio considerado e que a concentração deste gás aumentou, nesse instante, para o dobro.

       O valor aproximado do quociente de reação, imediatamente após aquela adição, pode ser calculado pela expressão

2. A variação de energia associada à formação de 2 mol de amoníaco, a partir da reação de síntese considerada, é -92 kJ.

A energia (média) da ligação N – H é 393 kJ mol-1.

Determine a energia total que é absorvida na rutura de 1 mol de ligações N ≡ N e de 3 mol de ligações H – H.

Apresente todas as etapas de resolução.

3. Na reação de síntese do amoníaco, o número de oxidação do nitrogénio varia de

(A) +2 para +1

(B) +2 para -1

(C) 0 para -3

(D) 0 para +3

GRUPO IV

A reação do amoníaco com a água pode ser traduzida por

1. Nesta reação, comportam-se como ácidos de Brönsted-Lowry as espécies

2. Considere uma solução aquosa de amoníaco de concentração 5,00 x 10-2 moldm-3 cujo pH, a 25 °C, é 10,97.

2.1. Calcule a quantidade (em mol) de amoníaco não ionizado que existe em 250 cm3 dessa solução.
       Apresente todas as etapas de resolução.

2.2. Considere que se adicionam lentamente algumas gotas de uma solução aquosa de um ácido forte àquela solução de amoníaco, a temperatura constante.

À medida que aquela adição ocorre, o pH da solução resultante ______ e a ionização da espécie NH3 (aq) torna-se ______ extensa.

(A) diminui ... mais

(B) diminui ... menos

(C) aumenta ... mais

(D) aumenta ... menos

GRUPO V

1. No âmbito de estudos sobre transferência de energia, por condução, utilizaram-se várias placas de alumínio e de aço inoxidável, de igual área e de espessuras 0,7mm e 5,0mm, que foram submetidas a uma mesma diferença de temperatura entre as respetivas faces.

A condutividade térmica do alumínio é 237Wm-1 ºC-1 e a do aço inoxidável utilizado é 26Wm-1 ºC-1.

Verificou-se que a mesma energia era mais rapidamente transferida, por condução, através das placas de

(A) alumínio de 0,7mm de espessura.

(B) alumínio de 5,0mm de espessura.

(C) aço inoxidável de 0,7mm de espessura.

(D) aço inoxidável de 5,0mm de espessura.

2. Considere que uma barra de alumínio é aquecida.

2.1. À medida que a temperatura da barra aumenta, o comprimento de onda da radiação de máxima intensidade emitida pela barra ______ e a potência da radiação emitida pela sua superfície ______.

(A) diminui ... diminui

(B) diminui ... aumenta

(C) aumenta ... diminui

(D) aumenta ... aumenta

2.2. Verificou-se que a energia interna da barra de alumínio aumentou 36 kJ quando lhe foi fornecida uma energia de 4,5 x 104 J.

       Qual foi o rendimento deste processo de aquecimento?

3. Para determinar a capacidade térmica mássica do alumínio, forneceu-se energia a um cilindro desse metal, de massa 1,010 kg, a uma taxa temporal de 3,0 J por segundo.

Na tabela seguinte, encontram-se registadas as variações de temperatura, Δɵ, do cilindro de alumínio em função do tempo de aquecimento, t.

Admita que toda a energia fornecida contribuiu para o aumento de temperatura do cilindro de alumínio.

Calcule a capacidade térmica mássica do alumínio.

Utilize as potencialidades gráficas da calculadora. Apresente a equação da reta de ajuste obtida,

identificando as grandezas físicas consideradas.

Apresente todas as etapas de resolução.

GRUPO VI

Na Figura 3 (que não se encontra à escala), está representado um carrinho que percorre o troço final de uma montanha-russa.

Admita que o carrinho, de massa 600 kg, passa no ponto A, situado a 18 m do solo, com uma velocidade de módulo 10ms-1.

Considere o solo como nível de referência da energia potencial gravítica e considere que o carrinho pode ser representado pelo seu centro de massa (modelo da partícula material).

Entre os pontos A e C, a soma dos trabalhos realizados pelas forças não conservativas que atuam no carrinho é desprezável.

1. A energia cinética do carrinho será o quádruplo da sua energia cinética em A num ponto em que a

(A) velocidade do carrinho for o dobro da sua velocidade em A.

(B) energia potencial gravítica do sistema carrinho+Terra for metade da sua energia potencial gravítica em A.

(C) velocidade do carrinho for o quádruplo da sua velocidade em A.

(D) energia potencial gravítica do sistema carrinho+Terra for um quarto da sua energia potencial gravítica em A.

2. O trabalho realizado pela força gravítica que atua no carrinho é

(A) maior entre os pontos A e B do que entre os pontos B e C.

(B) menor entre os pontos A e B do que entre os pontos B e C.

(C) positivo entre os pontos A e C e negativo entre os pontos C e D.

(D) positivo entre os pontos A e C e nulo entre os pontos C e D.

3. Considere que entre os pontos C e D, que distam 13 m entre si, atuam no carrinho forças de travagem cuja resultante tem direção horizontal e intensidade constante, imobilizando-se o carrinho no ponto D.

Calcule a intensidade da resultante das forças de travagem que atuam no carrinho, no percurso entre os pontos C e D.

Apresente todas as etapas de resolução.

GRUPO VII

A Figura 4 representa uma montagem utilizada numa atividade laboratorial. Nessa atividade, um carrinho move-se sobre uma calha horizontal, ligado por um fio a um corpo C que cai na vertical.

1. Durante o movimento do carrinho ao longo da calha, a força gravítica que nele atua é equilibrada pela

(A) força normal exercida pela calha no carrinho, constituindo estas forças um par ação-reação.

(B) força que o carrinho exerce na calha, constituindo estas forças um par ação-reação.

(C) força normal exercida pela calha no carrinho, não constituindo estas forças um par ação-reação.

(D) força que o carrinho exerce na calha, não constituindo estas forças um par ação-reação.

2. A Figura 5 representa o gráfico do módulo da velocidade, v, do carrinho em função do tempo, t, obtido na atividade laboratorial com um sistema de aquisição de dados adequado.

2.1. Desenhe, na sua folha de respostas, o corpo C e dois vetores que possam representar as forças que nele atuaram enquanto caía na vertical, antes de embater no solo.

       Identifique aquelas forças e tenha em atenção o tamanho relativo dos vetores que as representam.

2.2. Determine a intensidade da resultante das forças que atuaram no carrinho, de massa 200,07 g, enquanto o fio esteve sob tensão.

       Apresente todas as etapas de resolução.

2.3. Explique porque é que os resultados experimentais permitem concluir que a resultante das forças de atrito que atuaram no carrinho foi desprezável.

       Tenha em consideração os resultados experimentais obtidos a partir do instante em que o corpo C embateu no solo.

FIM

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