Rescaldo da 9ª Jornada

Rescaldo da 9ª Jornada

VIDEOS:

Benfica 1-0 Rio ave

F.C. Porto 2-0 Nacional

V. Guimarães 3-0 Sporting

Vídeos From: vídeos sapo

CRÓNICAS:

FC Porto-Nacional, 2-0

O duplo salto mortal de um Dragão formoso e pontualmente inseguro

Por Vítor Hugo Alvarenga       ontem às 22:26
FC Porto-Nacional, 2-0 (crónica)

Um FC Porto artístico, formoso e pontualmente inseguro, bastou para superar a curta oposição do Nacional da Madeira. A entrada vistosa, entusiasmando os adeptos, e a pincelada genial de Brahimi bastaram para manter os dragões no segundo lugar, com o Benfica a um ponto (2-0).

À 9ª jornada, a equipa portista é a única sem derrotas na Liga. 

Leia os destaques do FC Porto-Nacional. 
 
Um duplo salto mortal encarpado atrás e uma pirueta. Depois, um parafuso. O FC Porto no limiar do risco, entre a incrível sedução pela nota artística e a falta de clarividência no processo.
 
Foi assim, com ‘souplesse’, que a equipa de Julen Lopetegui deu continuidade a uma mensagem de união em torno do lema: não assobiarás os teus. 
 
Era o momento ideal para transmitir a sensação de harmonia, antes de um ‘até mais logo’. O FC Porto parte para três jogos consecutivos longe do Estádio do Dragão, regressando apenas no final de novembro.
 
Athletic Bilbao, Estoril e BATE Borisov. Desafios de exigência máxima a largos quilómetros da Invicta.
 
O Nacional da Madeira a abrir o mês. Triunfos de Benfica e Vitória de Guimarães, este frente ao Sporting, a justificar resposta à medida do FC Porto.
 
Julen Lopetegui igual a si mesmo, sem ceder à pressão para seguir em linha reta. Três mudanças no onze, uma por setor. Ainda assim, uma lógica mais compreensível, sem abalar a estrutura.
 
Entraram Maicon, Óliver e Ricardo Quaresma, saíram Marcano, Herrera e Tello.
 
Escrito assim, de forma simples, o leitor seria levado a pensar que pouco mudou no FC Porto. Afinal, havia ali qualidade comparável entre os dois grupos.
 
Para além disso, o Nacional entrara em campo sem capacidade de resposta para um Dragão acutilante, avassalador até nos primeiros minutos. O golo chegou com naturalidade, com Óliver e Quaresma na história. Passe do espanhol, cruzamento do português. Jackson a cabecear para defesa de Rui Silva e Danilo, em grande momento de forma, a marcar o primeiro golo da época.
 
A vantagem em oito minutos e a promessa de um salto rendilhado, entusiasmante e relativamente seguro. Os condimentos estavam lá, Lopetegui reunira os artistas todos de uma vez só: Óliver, Quintero, Quaresma, Brahimi. Um luxo.
 
Faltava, porém, o futebol direto de Cristian Tello e – sobretudo - o músculo de Héctor Herrera. Casemiro viu o cartão amarelo ao minuto 19 e por essa altura o Nacional já saía da concha e prometia inquietar os espíritos.
 
Rui Silva teve mais trabalho que Fabiano, sempre, mas o FC Porto passou por uma fase complicada até ao intervalo. A formação insular ganhava a batalha no setor intermediário e conseguia explorar alguma falta de cobertura azul e branca nas laterais.
 
A equipa de Manuel Machado tinha perdido os quatro jogos realizados fora de casa mas Julen Lopetegui percebia que a falta de agressividade comportava riscos desnecessários. O Nacional, recorde-se, havia roubado cinco pontos ao FC Porto na época passada.

Perto da hora de jogo, com a entrada de Herrera para o lugar de Quintero, tudo mudou. Até porque, na mesma altura, o técnico visitante trocou um defesa por uma unidade ofensiva, mexendo na sua estrutura central. Decisivo.
 
Os dragões recuperaram a sensação de harmonia e avançaram com confiança para o melhor movimento da noite. Brahimi, que se preparava para sair, insistiu naquilo que o distingue. Foi duplo salto, pirueta e parafuso, tudo num só. Finta de corpo, toque para a esquerda, depois para a direita. O objetivo à vista. E o golo. A queda perfeita na água.
 
Afinal, é isso que distingue o salto genial de um esboço com excesso de risco: o desfecho.
 
O FC Porto terminou a noite com uma vitória convincente, num quadro de conciliação maioritária com as suas gentes. O topo da Liga a um ponto de distância e a Liga dos Campeões no horizonte, com boas perspetivas de apuramento para a próxima fase.
 
Não é perfeito, mas está bem longe de ser mau.  

V. Guimarães-Sporting, 3-0 (crónica)

O massacre de leões em terra de xerifes indomáveis

Por Pedro Jorge da Cunha       ontem às 20:35

V. Guimarães-Sporting, 3-0 (crónica)

Cidade-Berço incorruptível, temerária, à prova de forasteiros indesejados, sejam eles leões de garras ameaçadoras ou meros impostores de sorriso fácil. Na casa do Vitória manda um xerife altivo, corajoso, em forma de equipa de futebol. O Sporting acabou atrás das grades, sem escape.

Quem é o xerife? O leitor pode escolher. O gigantesco André André, a serpente Hernâni, o genial Bernard ou o homem por trás de todo o plano, Rui Vitória.

O Vitória Guimarães algemou a pior versão do Sporting 14/15, aplicou-lhe três golos e, não há qualquer exagero, podiam ter sido muitos mais.

Muito intenso na pressão sobre a bola, mais rápido do que a própria sombra na transição ofensiva – Bernard exímio a lançar, Hernâni tremendo no um para um -, seguríssimo na proteção defensiva e mortífero nos lances de bola parada.

A exibição do Vitória foi perfeita. E foi assim do princípio ao fim.

FICHA DE JOGO DO V. GUIMARÃES-SPORTING

O meio-campo do Sporting, por exemplo, foi incapaz de ter bola e fazer o que fez no Dragão. João Mário nunca apareceu entre linhas, William Carvalho – apático e inseguro – não distribuiu nem organizou, Adrien abateu-se a si próprio em correrias tão generosas quanto inúteis.

E se falarmos do quarteto defensivo… ninguém se salvou, mas Maurício e Jonathan Silva foram francamente maus.

A leitura do jogo é esta, com um toque de Old West, tal o ambiente selvagem, até sanguinário, que o Vitória colocou em campo.

Há mais para dizer, porém. Os dois primeiros golos minhotos surgem através de cruzamentos na direita e um homem a ganhar ao segundo poste. O Sporting nunca percebeu isso.

No primeiro, aos 16 minutos, Bouba Saré empurrou para o golo, no segundo [talvez em fora-de-jogo] João Afonso ganhou nas alturas e Maurício confirmou que a bola entrava mesmo na baliza de Rui Patrício.

OS DESTAQUES: tanto por onde escolher

Como tentou Marco Silva solucionar os problemas? Juntou Slimani ao desaparecido Montero no ataque, lançou Capel para a esquerda, abdicou de Carrillo e João Mário. Tudo ao intervalo.

Consequências? Zero. Aumentaram o número de cruzamentos para a área de um convicente Assis, manteve-se o Vitória francamente superior, embora ligeiramente distinto.

A equipa que teve mais bola e mandou na primeira parte passou a ser uma equipa de contra-ataque, perigosíssima. E a baliza de Rui Patrício nunca mais descansou.

Reparem: Hernâni, aos 47 e aos 50 minutos, obriga Rui Patrício a defender; o mesmo Hernâni, aos 54, finta para o meio e obriga Rui Patrício à defesa da noite; Bernard, aos 70, responde com um tiro a uma arrancada de André André; Hernâni, outra vez, atira ao ferro uma bomba…

No meio destes tiros - um verdadeiro pelotão de fuzilamento ao leão -, André André fez de penálti o terceiro do Vitória e deu mais justiça a um marcador que podia ter sido ainda mais pesado para o Sporting.

Está a nascer em Guimarães uma excelente equipa. A humilhação podia ter atingido uma dimensão histórica, tal a diferença de qualidade colocada no relvado.

De um lado esteve um punhado de xerifes intratáveis; do outro, 11 jogadores que por uma noite pareceram os irmãos Dalton, perdidos e atormentados numa aventura de Lucky Luke.

O Vitória tem mais quatro pontos do que o Sporting na classificação.

Benfica-Rio Ave, 1-0 (crónica)

Talisca de capa e espada

Por Luís Pedro Ferreira       31 de Outubro às 22:04

Benfica-Rio Ave, 1-0 (crónica)

Um Benfica a testar variações valeu-se do goleador da temporada para segurar a liderança da Liga e pensar na Champions, enquanto os rivais vão jogar no campeonato. Um golo de Talisca passou a bola para os outros candidatos, numa noite em que pela primeira vez, na Luz, passou para o relvado aquilo que vinha no papel: as experiências de Jesus no Seixal, com Enzo a 6, Pizzi ao meio e Talisca em três lugares durante o jogo. O Rio Ave foi controlado no primeiro tempo, mas ameaçou no segundo e chegou a ter um golo anulado, numa fotocópia do 1-1 de Braga. O triunfo é pela margem mínima e explica-se, sobretudo, num ponto: a péssima definição dos encarnados no momento ofensivo.
 
A lesão de Eliseu obrigou desde logo Jorge Jesus a mexer na equipa. O treinador do Benfica fez mais alterações por opção. Assim, Júlio César foi para a baliza, Jonas para o ataque e o faz-tudo-do-meio-campo-para-trás-André-Almeida foi para lateral-esquerdo. Herói noutras noites, Talisca vestia a capa de Nico Gaitán.
 
O Benfica andou praticamente ao ritmo de Enzo Pérez no primeiro tempo. A melhor exibição do argentino pós-Mundial tinha sido na Supertaça e, perante o mesmo Rio Ave, foi o mais esclarecido e aquele que colocou melhor a técnica ao serviço do coletivo. Aqui, um asterisco: para Jonas, que o seguiu nesse aspeto. Outro para Samaris: mais bem posicionado, pecou no passe e tirou alguma capacidade de a equipa insistir na posse.
 
Assim foi o AO MINUTO do Benfica-Rio Ave, 1-0

Assim, os encarnados controlavam o jogo, mas só aos 16 minutos surgiram com ocasião de golo. Cássio defendeu um grande remate de Lima, embora o árbitro lhe tenha tirado a defesa. O guarda-redes dos vila-condenses acabou o primeiro tempo com várias ações: a remate de Enzo, a cabeçada de Lisandro e outra tentativa de Lima. Do outro lado, Júlio César aplicou-se a uma de Wakaso.
 
Em suma, no primeiro tempo, Enzo Pérez deu qualidade ao jogo do Benfica. Foi um Enzo muito próximo do voluntarioso médio que encantou a Luz nas duas últimas épocas, mas que, consequência da ordem de Jesus, ia perder influência ofensiva no segundo tempo. Porquê? Porque Jesus quis lançar Gaitán, para ver se alguém conseguia, por fim, ter uma melhor decisão no ataque: Salvio tentou muito, mas raramente esteve bem nesse aspeto; Lima teve dois remates e pouco mais conseguiu: de Talisca não é preciso dizer muito, apenas que não é Gaitán ali.
 
O segundo tempo trouxe, então, uma nova solução: Enzo passou para médio-defensivo, o brasileiro ex-Bahia para o meio e com o camisola 10 da Luz na esquerda a entrada no segundo tempo foi boa: entre os 47 e os 49 minutos o Benfica podia ter chegado ao golo.
 
Do outro lado, Diego Lopes começava a emergir. E isso foi um ponto fundamental no jogo. O 10 do Rio Ave teve grandes momentos no segundo tempo e por isso os vila-condenses também causaram perigo. O jogo estava melhor, definitivamente, com o Benfica a correr mais riscos.
 
Ora, como se disse, com o recuo, Enzo Pérez não pôde emprestar lucidez e a capacidade de transpor linhas na manobra atacante. Ainda se está para se perceber melhor se isso é um preço que o Benfica pode pagar. É certo que os encarnados chegaram ao golo pelo pontapé fantástico de Talisca, mais uma vez um DArtagnan de capa e espada, para usar uma expressão de Jesus sobre o ex-Bahia, mas o melhor Enzo «escondeu-se», ainda que tenha colocado esforço nas ações e tenha deixado promessas de que está de volta a um bom momento. Mas, em resumo sobre este ponto, o Benfica perde cérebro onde muito precisa de tê-lo.
 
Os destaques do Benfica-Rio Ave, 1-0

O Rio Ave, por exemplo, tinha um belíssimo pensador. Diego Lopes. Num canto para o Benfica, o brasileiro ficou com a bola, lançou um colega pela direita e Esmael terminou a festejar um golo que não foi, devido a um fora de jogo milimétrico. O Rio Ave sentiu a ferida do golo e atacou a baliza encarnada: terminou com mais situações, mas não foi feliz na finalização.
 
Por outro lado, Jesus mostrava outra solução: Pizzi à frente de Enzo, Talisca como 9,5. O Benfica teve momentos em que podia ter acabado com a dúvida do jogo, mesmo que não chegasse a rematar com perigo. Porquê? Porque nunca chegou a definir bem, na área, ou à entrada dela, porque Lima e Jonas atrapalharam-se num momento, porque Gaitán passou mal, quando o costuma fazer bem, porque Lima não está em forma e Salvio não conseguia terminar as jogadas.
 
O Benfica venceu e é líder, esse é o dado mais relevante na partida. Mas com tanta conversa sobre Samaris, Cristante ou Enzo Pérez, também convém a Jesus olhar para a frente de ataque: a vitória é justa, mas tanta má decisão levou a que a noite fosse sofrida. Valeu a espada de Talisca, melhor marcador do campeonato.

From : mais futebol

 

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