Pedras de Stonehenge prevêem eclipses. Mas como?

Por vezes, quando se encosta a alguém, sente um choque eléctrico. Será atracção da natureza ou magnetismo pessoal? A explicação está no nosso corpo. Cada ser humano é feito de átomos. E os átomos possuem cargas eléctricas: protões positivos e electrões negativos. É só entender o processo para “descarregar” a energia e fica neutro.

Desde o início da Idade Média, o monumento de Stonehenge, em Salisbury, no Reino Unido, tem sido alvo de inúmeras especulações. Não faltam teorias “malucas” para explicar a origem desse santuário de pedras. A verdade é que, por mais que o local já tenha sido pesquisado até à exaustão, ainda não existem respostas pendentes para todos os seus enigmas.

A cada dia surge uma nova descoberta sobre o monumento. No início deste mês, arqueólogos anunciaram que há pelo menos 17 outros santuários neolíticos ao redor de Stonehenge. E muitos deles têm o mesmo desenho circular. A análise desses dados, que poderá levar anos, talvez ajude a desvendar o mistério em torno do lugar, que foi construído em três fases, a primeira em 3.100 a.C., de acordo com a datação por radiocarbono.

Os estudos que mostram a relação de Stonehenge com a astronomia começaram por volta de 1950, quando o engenheiro Alexander Thom e o astrónomo Gerald Hawkins, da Universidade de Oxford, no Reino Unido, descobriram vários alinhamentos entre as pedras, dando início à arqueoastronomia, ou seja, o estudo da astronomia conhecida pelas antigas civilizações. Para Thom e Hawkins, estava claro que os povos responsáveis pela construção tinham uma enorme sofisticação matemática e habilidades em engenharia.

Uma coisa é certa, segundo os peritos: embora o local esteja associado a rituais druidas, essa sociedade celta não teve nada a ver com a criação de Stonehenge. Os druidas só apareceram cerca de 1.500 anos depois de o último anel de pedra ter sido erguido.

Mas, afinal, o sítio está mais para templo ou para observatório? É possível que as duas coisas estivessem ligadas para os povos que o idealizaram. «Provavelmente, a construção de Stonehenge foi motivada para o estudo astronómico, porém, com a finalidade de estabelecer uma conexão com os deuses», explica o astrónomo Eder Martioli, do Laboratório Nacional de Astrofísica (LNA), em Minas Gerais, ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Mais tarde, na Idade Média, o local foi adoptado como templo de adoração e cultos religiosos e os povos que o frequentavam provavelmente não conheciam a sua função astronómica.

Mas como é que um conjunto de monolitos é capaz de revelar informações sobre os astros? Algumas das pedras de Stonehenge, na formação original, estão alinhadas com pontos de referência no céu. É o caso da pedra central e a do Calcanhar («Heelstone», em inglês), alinhadas perfeitamente com a direcção do pôr do Sol no solstício de Verão no Hemisfério Norte.


«As pedras centrais de Stonehenge também se alinham a outros eventos astronómicos, como o nascer ou pôr da Lua em diferentes épocas do ano. Esses alinhamentos demonstram que os seus construtores estavam cientes dos pontos de referência no céu que definem ciclos astronómicos que utilizamos até hoje nos nossos calendários, como a passagem do ano e das estações, ou a repetição dos eclipses», relata Martioli.

«O local possui, ainda, vários círculos com marcações feitas através de buracos escavados no chão (círculo Y, Z e Aubrey), que possibilitavam a contagem de tempo entre eventos que determinam os ciclos astronómicos.»

in: DD

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