Nuvens de Magalhães

Por Ana Lucia Santana

 

A galáxia  conhecida como Via Láctea, na qual está localizado o Sistema Solar, navega pelo Cosmos ao lado de duas nebulosas espirais menores – galáxias-satélites -, denominadas Nuvens de Magalhães. Ambas podem ser visualizadas a olho nu no Hemisfério Sul, entre a Linha do Equador e o Polo Sul. Desta forma, foram vistas pelo aventureiro português Fernão de Magalhães, quando realizava suas viagens marítimas, em 1520. Daí estas nuvens serem batizadas com seu sobrenome.

Grande Nuvem de Magalhães

As observações mais antigas, porém, foram realizadas por Al Sufi, astrônomo de nacionalidade persa, em 964 a.C. Elas são conhecidas, hoje, como Grande Nuvem de Magalhães e Pequena Nuvem de Magalhães, e são facilmente focalizadas no interior do Grupo Local, no qual estão agrupadas mais de 35 galáxias, entre elas a Via Láctea. Este espaço se espraia no Universo por cerca de 4 milhões de anos-luz.

Antes da descoberta de outra pequena galáxia, a elíptica de Sagitário, localizada a mais ou menos 70.000 anos-luz, a Grande Nuvem era vista como o corpo externo à Via Láctea situado mais perto do Planeta, a 160.000 anos-luz. Já a Pequena Nuvem está a cerca de 200.000 anos-luz.

Estas pequenas galáxias são significativas na história da astronomia, principalmente no que tange a sua descoberta. Elas são compostas por estrelas, mas, semelhante às outras nebulosas, apresentam também uma boa dose de elementos gasosos em sua configuração, particularmente hidrogênio, e muito pó.

Há indícios que apontam a presença de várias deformações em suas características, provavelmente provocadas por relações com nossa galáxia, uma vez que ambas transitam juntas pelo Cosmos. Elas são ligadas à Via Láctea por fios de hidrogênio, e sua força gravitacional, por sua vez, também atingiu a galáxia que transporta a Terra, o que resultou em pequenas alterações formais nesta esfera.

Elas se distinguem da Via Láctea por apresentarem muito gás em sua composição; são em grande parte estruturadas por partículas de hidrogênio e de hélio. Por outro lado, apresentam poucas substâncias metálicas. Estão presentes nestas nuvens muitas estrelas novas, embora elas também transportem astros de mais idade, o que revela sua longa trajetória. A Grande Nuvem, por exemplo, já deu espaço a uma supernova, conhecida como SN 1987A, um dos mais radiosos corpos celestes já vistos no Universo.

Como encontrar as Nuvens de Magalhães (Fonte: Observatório UFMG). Clique para ampliar.

Visualizar as Nuvens de Magalhães não é difícil, mas exige condições atmosféricas boas, em uma noite na qual a poluição esteja ausente. Nas localidades em que o céu se encontra mais escurecido, particularmente quando não há sinal da Lua, é maior a probabilidade de vê-las.

Para isso é necessário situar no alto as estrelas mais radiantes – Sirius ou alfa do Cão Maior, e Canopus ou alfa da Carina. A norte é possível ver a constelação de Órion, na qual são facilmente localizadas as célebres Três Marias. O astro mais intenso de Órion é Rigel, que está bem perto de Sirius. A distância angular entre Sirius e Rigel equivale aproximadamente a dois terços do afastamento entre Sirius e Canopus, situado ao Sul. Estas duas estrelas apontam para as Nuvens de Magalhães.

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