Mau tempo no espaço

 

Queixamo-nos do tempo atmosférico na Terra, mas noutros planetas a meteorologia atinge toda uma outra dimensão.

 
Os fenómenos meteorológicos na Terra podem estar cada vez mais extremos, mas esteja como estiver o tempo lá fora no local onde se encontra, é seguro dizer que está melhor do que no resto do Sistema Solar. A Terra tem o melhor tempo atmosférico, graças a vários fatores: a sua dimensão, a distância ao Sol, a sua inclinação axial, o período orbital e rotacional, e a sua
composição química. Embora a meteorologia da Terra possa ser devastadora, em comparação com alguns dos planetas nossos
vizinhos, até é bastante amena. E uma grande fatia pode ser resumida numa palavra: água (embora sob várias formas). Já nos planetas onde não existe água, atmosfera ou um campo magnético para os proteger do pior da radiação solar, é surpreendente como estamos tão ávidos por visitá-los! Um fator que todos os planetas têm em comum é o Sol e as suas emissões. A heliosfera é considerada uma parte da atmosferado Sol, mas estende-se para lá de Plutão, a cerca de 19 mil milhões de quilómetros da estrela. A Terra tem alguma meteorologia em comum com outros planetas. Em fevereiro de 2014, cientistas do Centro de Voo Espacial Goddard, da NASA, descobriram que um fenómeno comum e bastante banal na Terra tem um impacto muito maior em Vénus. Um tipo de vento solar chamado anomaliado fluxo de calor provoca gigantescas explosões de energia mas, na Terra, é defletido pela magnetosfera. Só que Vénus não tem magnetosfera, por isso, as explosões podem abranger todo o planeta não que fosse particularmente hospitaleiro. Mas este não é o tempo mais estranho do Sistema Solar. Embora possa ser difícil estudá-lo, o nosso historial de sobre voos, missões e sondas ajuda-nos a criar modelos detalhados do clima de planetas como Marte. Conhecer efeitos similares noutros planetas mesmo na sua forma mais extrema ajuda-nos a prepararmo-nos melhor para as alterações do tempo meteorológico na Terra.
 

 

A Grande Mancha Vermelha de Júpiter

 
 
Uma das características que definem o maior planeta do Sistema Solar é uma tempestade situada a cerca de 22 graus sul do equador, na Cintura Equatorial Sul (CES), a que se dá o nome de Grande Mancha Vermelha (GMV). Espantosamente ,a GMV dura há mais de 400 anos, situa-se a uma elevada altitude e é mais fria do que a camada de nuvens circundante. Roda no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio, descrevendo uma rotação completa de seis em seis dias terrestres, e atualmente tem a largura de duas Terras. Nos últimos cem anos, a dimensão da tempestade diminuiu para metade em dado momento, o seu diâmetro ultrapassava 40 mi lkm. A GMV é diferente das tempestades terrestres, porque o calor gerado no interior do planeta regenera-se continuamente. Na Terra, os furacões dissipam-se ao chegarem ao solo, mas Júpiter é gasoso, por isso, a tempestade continua. A atmosfera de Júpiter é composta por cinturas de nuvens que giram devido a um sistema de correntes de jato. O lado norte da tempestade é delimitado por uma corrente de jato em direção a leste e o lado sul por uma corrente de jato em direção a oeste. As correntes “seguram” a tempestade enquanto circunda o planeta. Apesar dos ventos altos à sua volta, no interior da tempestade há pouco vento. A sua cor deverá ser causada por compostos sulfúricos e varia de branco a vermelho escuro, e por vezes nem se vê. Estas alterações de cor parecem correspondera alterações de cor na CES, mas não são previsíveis.
 
 
Durou 4.700 vezes mais do que a maior tempestade da Terra
 

Tempestades de poeira em Marte

 
As tempestades de areia na Terra não teriam qualquer efeito na paisagem de Marte. O Planeta Vermelho é tão árido, poeirento e rochoso que as suas tempestades de poeira podem durar semanas. Desenvolvem-se muito depressa e podem abranger vastas regiões. Como a atmosfera marciana é tão rarefeita, partículas superfinas de pó elevam-se no ar quando o calor do Sol aquece
a atmosfera. Marte tem uma órbita tão excêntrica que as suas estações são extremas. A temperatura pode descer a -143 ºC e subir a 35 ºC; durante o verão, quando varia mais no equador, aumenta a probabilidade de tempestades de poeira.
 
As tempestades de poeira podem fazer subir drasticamente a temperatura, pois as partículas encerram o calor na atmosfera de Marte.
 

A corrente de jato hexagonal de Saturno

As correntes de jato costumam ser circulares, mas Saturno gosta de ser diferente. A missão Voyager fez uma descoberta especialmente interessante no início da década de 1980, ao sobrevoar o polo norte do planeta: está rodeado por uma corrente de jato que não é circular, mas sim hexagonal. Estima-se que cada lado deste imenso hexágono meça 15.000 km de comprimento e 30.000 km de diâmetro. Rodeia um vórtice e gira à mesma velocidade de Saturno (um dia = dez horas e meia). Para explicar este fenómeno invulgar, físicos da Universidade de Oxfordr e criaram-no em laboratório. Usaram um cilindro de água como atmosfera do planeta, com uma ropor dentro a servir de corrente de jato (com tinta verde para se ver). O cilindro foi colocado numa mesa rotativa e o aro rodava mais depressa do que a água. Quanto mais depressa rodava, menos circular se tornava a corrente de jato. Ao variar a velocidade e as diferenças entre as rotações da água e do aro, surgiram formas diferentes. A teoria é que é a velocidade a que esta corrente de jato roda em relação à atmosfera de Saturno que gera a invulgar formação de nuvens hexagonal. 4 Terras caberiam no interior
 
 
 
 
 
 
 

Qual é o papel do Sol no tempo do espaço?

Diversos fatores afetam o tempo em cada planeta do Sistema Solar, mas todos têm uma coisa em comum: o Sol. Na atmosfera do Sol ocorrem dois tipos de atividade solar principais com efeitos de longo alcance. Ejeções de massa coronal (EMC) e erupções solares podem provocar o caos num planeta. As EMC são explosões de campos magnéticos e ventos solares que libertam matéria e radiação eletromagnética. As erupções solares são explosões de luz e energia que libertam átomos, iões, eletrões e radiação. A uma EMC costuma seguir-se uma erupção solar.
Estes surtos de energia do Sol podem resultar em partículas energéticas solares (PES), que são partículas comum a elevada carga de energia com eletrões, iões e protões, capazes de se deslocarem a 80 por cento da velocidade da luz. As PES e outra matéria e radiação que chegam à Terra causam tempestades geomagnéticas que podem ter diversos efeitos. Originam as espantosas auroras polares, entre outros efeitos menos desejáveis. As erupções solares aumentam a radiação ultravioleta na atmosfera da Terra, que pode afetar o movimento e a longevidade de satélites ao tornar a atmosfera mais densa. Podem causar interferências e perturbações nas comunicações e na navegação à superfície, e as partículas das erupções podem danificar componentes eletrónicos delicados de satélites ou da Estação Espacial Internacional. Até podem provocar alterações no clima da Terra.
 

A chuva de diamantes de Saturno

 
Alguns cientistas defendem que as trovoadas em Saturno podem resultar em precipitação de diamantes, de até mil toneladas por ano. A teoria éque, ao atravessar o metano da atmosfera, os raios libertam átomos de carbono do gás, que se juntam e andam à deriva em direção ao núcleo do planeta. Com a subida de pressão e de temperatura,o carbono é comprimido em grafite e, por fim, diamantes, que podem atingir um centímetro de diâmetro. Contudo, ao atingirem o núcleo – onde as temperaturas podem chegar a 7.727 ºC , os diamantes derreteriam e ficariam em estado líquido.
 

Ventos violentos em Neptuno

 

Em geral, o tempo no planeta mais exterior do nosso sistema solar é muito extremo, mas o que realmente surpreende os astrónomos é o seu vento. Neptuno tem os ventos mais fortes de todo o Sistema Solar, atingindo mais de 2.100 km/h – a velocidade de um caça. Por comparação, os ventos na Terra atingem no máximo, por norma, 400 km/h. Estes poderosos ventos movem-se na direção oposta à da rotação do planeta. Existem duas teorias sobre o que provoca estes ventos. A primeira afirma que, embora sejam muito fortes, estes ventos mantêm-se bem alto na atmosfera, numa camada que não tem mais de 1.000 km de espessura. Tal significa que os processos que os geram também são pouco profundos, provavelmente devido à condensaçãoe à evaporação de humidade na atmosfera.A segunda teoria sugere que estes processos ficam muito mais abaixo na atmosfera, provocados pelo encontro do calor gerado do interior do planetaquando o seu núcleo “encolhe” ao encontrar o frio extremo à superfície (abaixo de -200 ºC). Se os ventos penetrarem mais na atmosfera, também poderão ser tão intensos que a superfície descaracterizada do planeta não contém nada para os abrandar.

 

 

As auroras elétricas de Júpiter

 
 
 
As auroras da Terra atraem muitas atenções pela sua beleza, mas Júpiter tem auroras maiores do que toda a Terra e que produzem quase um milhão de megawatts de energia!  E, ao contrário das terrestres, estão sempre a acontecer. Na Terra, as luzes são causadas por tempestades solares, mas as auroras jovianas geram-se a si mesmas. Ao rodar, o planeta gera eletricidade nos polos e empurra partículas carregadas (iões) para a atmosfera, o que causa uma reação que resulta nas luzes lindíssimas. Uma potencial fonte dos iões é a lua de Júpiter Io, mas os cientistas não têm a certeza de como acontece. Imagens ultravioletas das auroras mostram não só o seu fulgor azul, mas ainda três manchas de luz.São as luas galileanas Io, Ganimedes e Europa a interagirem com o campo magnético de Júpiter.
 
 
As auroras de Júpiter já foram descritas por cientistas como “luzes do norte a esteroides”. carregadas (iões) para a atmosfera, o que causa uma reação que resulta nas luzes lindíssimas. Uma potencial fonte dos iões é a lua de Júpiter Io, mas os cientistas não têm a certeza de como acontece. Imagens ultravioletas das auroras mostram não só o seu fulgor azul, mas ainda três manchas de luz. São as luas galileanas Io, Ganimedes e Europa a interagirem com o campo magnético de Júpiter.
 
 
 

 

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