Estudo indica que chocolate amargo reduz risco de enfarto 15

Estudo indica que chocolate amargo reduz risco de enfarto 15

 Um grupo de pesquisadores da Universidade Estadual de Louisiana, nos Estados Unidos descobriu que o chocolate amargo reduz o risco de enfarto porque tem efeitos antiinflamatórios.

Os resultados deste trabalho foram apresentados no 247º Encontro da Sociedade Americana de Química realizado esta semana em Dallas. Segundo o diretor da pesquisa, John Finley, ele também será publicado na revista Journal of Agricultural and Food Chem.

 

Finley detalhou que quando os componentes do chocolate preto são absorvidos pelo corpo "diminuem a inflamação do tecido cardiovascular e reduzem o risco de enfarto em longo prazo".

 

 ESTUDO: 

o psiquiatra Arthur Kaufman, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo, foi o responsável por uma pesquisa com um grupo de voluntários sobre compulsão por chocolate. O grupo era composto por 73 pessoas (9 homens e 64 mulheres), entre 15 e 73 anos, que se consideravam grandes consumidoras de chocolate. 

  

A seguir, veja alguns resultados do estudo e curiosidades sobre a guloseima:  
 

ALTERAÇÕES HORMONAIS: 

elas talvez expliquem o maior desejo por chocolate pelas mulheres, especialmente no período menstrual, e o fato de que elas, quando têm compulsão, preferem alimentos ricos em açúcar e gordura (os homens preferem alimentos os ricos em gordura e sal)               

 

SEROTONINA: 

há a hipótese de que o carboidrato do chocolate aumentaria a disponibilidade de triptofano, um precursor de serotonina, que atua como mensageiro químico no cérebro, levando a uma sensação de bem-estar 

 

XANTINAS: 

o chocolate é rico nessas substâncias, que estimulam o sistema nervoso central. A cafeína e a teobromina são exemplos delas. Uma barra de chocolate amargo (50 g) contém 17 a 36 mg de cafeína e 237-519 mg de teobromina. Uma xícara de café contém 40 a 130 mg de cafeína. O efeito estimulante da cafeína em adultos dá-se com a dose de 150 a 200 mg. Especula-se que há uma sinergia entre a cafeína e a teobromina e, assim, o chocolate seria estimulante mesmo contendo uma menor quantidade de cafeína

 

 

FENILETILAMINA: 

essa substância, liberada no cérebro quando a pessoa está apaixonada, também está presente no chocolate. Mãs não se anime: o salame e o queijo cheddar contém uma quantidade nove a dez vezes maior dessa substância, sem que haja referência a compulsão por esses alimentos

 

TETRAHIDROCARBOLINES: 

o chocolate contém esses alcaloides neuroativos também encontrados no álcool, com possíveis influências no humor e no comportamento, o que daria suporte à recomendação da AAA (Associação dos Alcoólicos Anônimos dos EUA) aos alcoólicos em recuperação de usar chocolate para controlar o desejo pelo álcool

 

ANANDAMIDA: 

o chocolate também contém esse composto que inibe a sua degradação. Os compostos ativos da maconha produzem excitação "imitando" a anandamida (ativam os mesmos receptores, mimetizando os efeitos da anandamida). Mas uma pessoa precisaria ingerir 25 quilos de chocolate para atingir uma excitação perceptível 

 

 

DOCE: 

Michener e Rozin, em 1994, estudaram voluntários com fissura por chocolate e deram a eles diversas variações, como ao leite, branco, cápsulas de cacau, branco e cápsulas de cacau juntos e cápsulas de placebo. Quais deram jeito na fissura? Em primeiro lugar a versão ao leite e, em segundo lugar, o branco (que não tem licor de cacau e, portanto, não possui substâncias psicoativas). As cápsulas de cacau não tiveram nenhum efeito

 

 

SENSAÇÕES: 

as características sensoriais do chocolate (cor, sabor, aroma, consistência e caracteristica de "derreter na boca") parecem ser mais importantes que as substâncias psicoativas para promover o desejo, a fissura ou "craving" (intenso desejo ou urgência de comer chocolate, experenciado na falta do mesmo) por chocolate, mas ainda é um assunto que merece mais estudos

 

NUTRIENTES: 

como o chocolate é rico em magnésio, especialistas sugerem que o alimento ajudaria a suprir eventuais carências desse elemento no período pré-menstrual e durante fases de estresse

 

 

FLAVONOIDES: 

o chocolate é rico nesses antioxidantes (uma barra de 42 g de chocolate ao leite contém tanto quanto uma taça de vinho tinto). Eles melhoram a relação do colesterol HDL com o LDL e diminuem a oxidação do segundo. Portanto, o chocolate teria uma ação na prevenção de doenças cardiovasculares, segundo o psiquiatra Arthur Kaufman, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo

 

 

 Para realizar esta pesquisa, os cientistas simularam a digestão do cacau em pó, contido neste tipo de chocolate, em um modelo de tratamento digestivo. Esse modelo foi criado empregando diferentes tubos de ensaio, e, depois, os cientistas submeteram os materiais não digeridos à fermentação anaeróbica (sem oxigênio) usando bactérias humanas.

Segundo Finley, o cacau em pó contém vários polifenóis e antioxidantes, como catequinas e epicatequinas, assim como fibras, que são escassamente digeridas no estômago, mas que são absorvidos ao passar ao cólon.

"Em nosso estudo descobrimos que a fibra é fermentada e que os polímeros polifenóis são metabolizados e se transformam em moléculas menores, mais fáceis de absorver. Estes polímeros menores têm ação antiinflamatória", ressaltou Finley.

 

O diretor da pesquisa também explicou que os benefícios para a saúde do chocolate amargo podem ser acentuados se sua ingestão for combinada com a de alimentos prebióticos (carboidratos que se encontram, por exemplo, no alho) ou de frutas.

Chocolate melhora o humor? Veja mitos e verdades que rondam esta delícia 

Comer chocolate melhora o humor. 
 
VERDADE: segundo a nutricionista Lenita Borba, a diferença é percebida quase que imediatamente. "Isso acontece porque o cacau, principal matéria-prima do doce, é fonte de magnésio e triptofano, nutrientes que estimulam o organismo a produzir endorfina e serotonina, neurotransmissores responsáveis pela sensação de bem-estar e prazer e que inibem a agressividade", afirma. 

 

 
O consumo de chocolate aumenta a libido.
 
 MITO: não há pesquisa científica que comprove isso. Provavelmente, a "fama" se deve à sensação de bem-estar que o doce proporciona, o que deixaria as pessoas mais predispostas para o sexo. Outra hipótese diz respeito aos astecas que, na colheita do cacau, promoviam festivais de acasalamento e orgias sexuais. 
 
 
Algumas pessoas preferem chocolate a sexo. 
 
VERDADE: foi o que mostrou a pesquisa feita com 1500 britânicos encomendada pela empresa de alimentos Cadbury. De acordo com o levantamento, 52% das mulheres e 13% dos homens preferem o doce à relação sexual. A justificativa da maioria é que com o chocolate o prazer é garantido 
 
 
 
Quanto mais amargo e escuro for o chocolate, mais saudável ele é. 
 
VERDADE: segundo a nutricionista Lenita Borba, essas características revelam que o alimento tem altas concentrações de cacau e uma porcentagem reduzida de gordura, açúcar e leite. "Só para ter uma ideia, o extra amargo tem entre 75% e 85% de cacau; o amargo, entre 50% e 75%; e o meio amargo, de 35% a 50%. Já na versão ao leite, a concentração varia entre 30% e 40%, por isso não pode ser considerado um protetor do coração. O restante basicamente é leite em pó ou leite condensado e açúcar".

 

 
 
Chocolate provoca acne. 
 
MITO: não há estudo que relacione o consumo de chocolate ao aparecimento de espinhas. De acordo com a nutricionista Lenita Borba, o que pode dar essa impressão é que os alimentos gordurosos em geral aumentam a oleosidade da pele que, por sua vez, pode obstruir os poros e favorecer a proliferação de bactérias responsáveis pela inflamação

 

 
 
A cor esbranquiçada do chocolate indica que ele está estragado. 
 
MITO: é importante, claro, observar a data de validade mas, na maioria dos casos, o tom acinzentado ou esbranquiçado sinaliza que o alimento foi exposto a diferentes temperaturas, o que fez a manteiga de cacau chegar até a superfície do doce 
 
 
O consumo regular de chocolate amargo reduz a pressão arterial e o risco de doenças cardiovasculares. 
 
VERDADE: a explicação está no alto teor de antioxidantes, como flavonoides, catequina, epicatequina, procianidina e ácidos hidroxicinâmicos, que auxiliam no aumento do colesterol bom (HDL) e no funcionamento dos vasos sanguíneos. Para ter esses benefícios, consuma, no máximo, 50 gramas da versão amarga por dia 
 
 
Quem faz dieta só deve consumir a versão diet. 
 
MITO: para compensar a falta de açúcar e garantir a textura e o sabor característicos, o chocolate diet traz grande quantidade de gordura (maior até do que a versão tradicional), por isso é altamente calórico
 
 
Tosse é um dos sintomas de alergia ao chocolate. 
 
VERDADE: a nutricionista Lenita Borba chama a atenção também para outros sinais, como irritação na pele, no estômago e no intestino e aumento nas crises de enxaqueca. "Possivelmente, isso está relacionado à presença de substâncias vasodilatadoras no alimento", lembra. Em caso de consumo excessivo, a especialista afirma que as consequências são diarreia e excesso de peso 
 
 
O chocolate branco não pode ser considerado chocolate. 
 
VERDADE; a justificativa dos especialistas é que ele não contém cacau, apenas a manteiga extraída do fruto, leite em pó, baunilha, grande quantidade de açúcar (em torno de 59%) e gordura saturada 
 

 

From: UOL

 

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