As probabilidades de sobrevivência ao cancro da mama podem ser previstas por um teste através da análise dos locais onde o sistema imunitário combate o tumor. Até agora a técnica, publicado no jornal Modern Pathology, tem sido testada apenas em mulheres com um tipo de cancro da mama, com a característica 'recetor de estrogénio negativo', que afeta uma em cada três pacientes e que é particularmente difícil de tratar. Mas os investigadores pretendem expandir os testes também a mulheres com a forma mais comum da doença.

"A nossa pesquisa visa desenvolver métodos inteiramente novos de diagnosticar mais cancros menos agressivos, com base no desempenho do sistema imunitário face à verificação de tumores," afirma a Dra. Yinyin Yuan, do Instituto de Pesquisa de Cancro, em Londres.  

"Conseguimos provar que, para medir a eficácia com que o sistema imunitário responde ao cancro, precisamos de avaliar não só quantas células imunes existem, mas também se estão agrupadas nas zonas-foco de cancro."

Através da análise do modo como o sistema imunitário interage com as células cancerígenas, as pacientes são divididas em dois grupos, podendo precisar de diferentes tipos de tratamento.

O novo teste utiliza imagens computorizadas de amostras do tumor e análises estatísticas para medir o número de focos de células imunes. Foram encontradas imagens de focos onde estas estavam agrupadas em redor das células cancerígenas, o que constitui uma melhor resposta imunitária, do que a função das células imunes que estejam apenas no interior do tumor.

Os cientistas do Instituto de Pesquisa de Cancro, em Londres analisaram amostras de tumores de 245 mulheres, que foram posteriormente divididas em dois grupos consoante o número de focos imunes dentro dos seus tumores. Aquelas com maior número de focos viveram em média, 91 meses antes do alastramento da doença, comparado com os 64 meses daquelas com baixo número de focos.

O teste é o primeiro método objetivo de medição da eficácia do sistema imunitário em resposta a tumores.

Paul Workman, diretor do Instituto diz que "a interacção entre o sistema imunitário e o cancro é extraordinariamente complexa, e algo que só agora se começou a compreender," e tem esperança na contribuição que a imunoterapia pode dar, como futuro tratamento do cancro.